Abrangendo várias freguesias do concelho, numa região marcadamente rural e em que os valores ambientais e patrimoniais se conjugam em pleno, a Área de Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos, com acessos pela Estrada Nacional 202 (Ponte de Lima - Viana do Castelo) e pela A27 (Nó de Estorãos), é um marco nacional em termos de educação ambiental e de preservação da natureza.
São vários os Percursos Pedestres que podem realizar-se, mas nós como é habitual, acabámos por fazer uma miscelânia de vários deles.
Declarada Zona Húmida de Importância Internacional, pela raridade dos seus habitats e pela elevada biodiversidade que sustenta, a Área Protegida desenvolve-se em torno de duas lagoas e margens do Rio Estorãos, numa área total de cerca de 350 hectares.
Trata-se de uma interessante zona húmida onde, em depressões naturais, se formaram lagoas alimentadas pela água da chuva e pelo consequente aumento do lençol freático.
No miolo do espaço classificado prevalece o característico ambiente húmido das lagoas e dos bosques higrófilos que elas propiciam.
Mas em qualquer dos percursos sugeridos, a diversidade de biótopos é maior.
Os motivos de interesse que justificam a caminhada são diversos.
O percurso é feito em perfis diversos.
Contrastando com estes espaços de vegetação densa, pequenos campos de cultivo a eles associados são percorridos nos troços abertos, dos quais nos é permitido avistar a imponente serra D’Arga.
Os passadiços, apesar de nos ultimos tempos serem infraestruturas que, pelas piores razões, andam nas bocas do mundo, aqui parecem fazer todo o sentido, para alcançar os terrenos intermitentemente inundados em torno das lagoas.

Para além das lagoas, satisfazem igualmente os troços em que se atravessam ribeiros imersos em galerias ripícolas onde coexistem amieiros, salgueiros e freixos e outros em que se apreciam bosquetes de carvalho-alvarinho e azevinho ou pequenos vidoais.

Fazem também parte destes caminhos, trilhos de pé posto, estradas municipais alcatroadas e também caminhos rurais empedrados.

Também em complemento com os espaços de vegetação densa, encontram-se pequenos aglomerados de construções rurais algumas já em ruínas.


A miscelânea entre os diversos percursos foi tal, que apenas sabemos que estivemos entretidos por cerca de 2h, quanto aos km percorridos, não temos sequer ideia.
Deambulando, ao sabor do que nos foi ditando a vontade, apenas podemos afirmar que vale a pena pelo silêncio entrecortado pelo som da passarada e do correr das águas, pelas cores diversas que nos vão estimulando o olhar.
De destacar que para os vários trilhos sinalizados, existem «flyers» de apoio, que podem solicitar na receção do Centro Intepretativo.
Quanto à fauna que aqui se pode encontrar, a lontra e a gineta estão presentes e evidenciam-se no conjunto dos mamíferos, constituído por muitas outras espécies mais vulgares, como o javali e a raposa. Entre os répteis assinala-se a presença das duas cobras de água, a de colar e a viperina. E a truta-do-rio é uma das inúmeras espécies dos peixes que povoam esta importante zona húmida do norte do país.
Conseguimos avistar também algumas rãs e salamandras, embora o registo fotográfico, não tenha "chegado" a tempo para as registar... Por aqui prevalece o lema, "mais vale vêr que fotografar" 😉
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