O destino final seria mais a Norte e como tal, a viagem implicou várias paragens para diferentes tipos de abastecimento.
Desta feita tratou-se do reabastecimento, das Nossas barriguitas, com um belo piquenique.
E após o reabastecimento, uma visita a três dos monumentos, mais emblemáticos da "Cidade Berço".
Este era um local, já por nós visitado em família, no inicio deste século 😆, mas faltava dá-lo a conhecer ao elemento mais novo dos Nossos Caminhos.
Decidimos começar pelo castelo, mas ao chegar à entrada deparamos-nos com uma indicação que nos dá conta de que a compra de bilhetes, é apenas possivel, no Paço dos Duques.
Assim sendo, incursamos até lá e passamos pela Igreja de S. Miguel do Castelo, na qual é possível entrar sem necessidade de bilhete.
Com construção do início do século XII, provavelmente pelo Conde D. Henrique, é de estilo românico, de pequenas dimensões e de grande simplicidade arquitectónica.
Tem um grande simbolismo pela sua ligação histórica ao período da fundação da nacionalidade e à tradição de ter sido aí baptizado D.Afonso Henriques.
No seu interior o pavimento está lajeado com sepulturas que se atribuem a nobres guerreiros ligados à fundação da nacionalidade.
Está classificada como Monumento Nacional.
Continuamos então até ao "Paço dos Duques".
O Paço dos Duques, foi mandado construir pelo 8.º Conde de Barcelos (e, mais tarde, 1.º Duque de Bragança), D. Afonso, filho natural do rei D. João I.
(Salão dos Passos Perdidos)
Aqui se expõem peças de diversos tipos – têxtil, pintura, mobiliário, cerâmica, metais.
Aqui, o Nosso olhar é imediatamente atraído pelas duas enormes tapeçarias, de uma série de quatro, conhecidas como «Tapeçarias de Pastrana», cuja designação se fica a dever ao facto de serem cópias únicas das tapeçarias do último quartel do século XV que se encontram no Museu Paroquial de Tapices de Pastrana, em Espanha.
Podem também observar-se vários contadores indo-portugueses em madeira de teca com embutidos de ébano e marfim, pregaria e ferragens, datados do século XVII. O termo “indo-português” vem sendo utilizado para designar as peças realizadas entre os séculos XVI e XVIII, no contexto do relacionamento entre Portugal e a Índia. Hoje, há quem prefira usar o termo produção indiana de exportação para o mercado português.
Do conjunto de porcelanas expostas nesta sala permitimo-nos destacar dois potes com tampas, de grandes dimensões, executados ao torno, feitos em porcelana branca policromada nas cores azul cobalto, verde, amarelo, sépia e ouro, sendo a decoração de temática europeia. Dentro de reserva o brasão de armas do encomendante – Sampaio e Melo. São peças provenientes da China, datadas da Dinastia Qing, período Kangxi, produzidas entre 1700-1720.
O 2.º Visconde de Pindela, Vicente Pinheiro Lobo Machado Melo e Almada, nasceu em Guimarães em 23 de abril de 1852 e ao longo da vida foi reunindo uma relevante coleção de armas, com as quais decorava os espaços da sua Casa.
Em 1942 as peças acabaram por integrar a coleção do Museu de Alberto Sampaio, tendo, em 1959, transitado para o Paço dos Duques de Bragança.
Esta coleção, composta principalmente por armas brancas, de fogo e elementos de armaduras “foi uma das mais importantes coleções privadas de armamento que se reuniram no Norte de Portugal no séc. XIX e inícios do Séc. XX”. (Mário Jorge Barroca, Armamento medieval no espaço português, 2000. P. 261).
(Sala dos Banquetes)
Ao entrar neste salão o visitante é atraído pela grandiosidade do espaço, pelo teto em forma de barco invertido, pela enorme mesa (constituída pela junção de várias mesas) e pela tapeçaria de Pastrana representando o assalto a Arzila.
Não se trata da representação de uma sala, câmara como se dizia na altura, da época quatrocentista, mas antes a recreação de um espaço destinado ao comer e no qual se reúne um conjunto de objetos produzidos de um modo geral entre os séculos XVII e XVIII.
O pormenores de detalhe nas ferragens e fechaduras e do entalhe, são também eles cativantes.
(Sala dos Contadores)
Os contadores, de que existem vários exemplares nesta sala, são peças de mobiliário, de forma retangular, munidos de muitas gavetas (por vezes com fechadura ou combinações secretas), nas quais se guardava dinheiro, joias, documentos e outros objetos de valor e de pequeno porte.
Neste espaço encontram-se ainda vários objetos de porcelana chinesa, pinturas e os tapetes conhecidos como ‘Salting’.
Passando à "Sala do Comer Intima".
Nesta sala recria-se um espaço destinado às refeições de uma época posterior à edificação do Paço dos Duques.
A Galaria Superior, de Acesso ao Pátio e a outras salas do Paço, serve também como Galeria para exposição de esculturas em madeira.
Desta Galeria, ornada de colunas de pedra e archotes, pode também observar-se o Pátio e a entrada da Capela.
Nos telhados é de notar a interessante perspetiva que daqui se tem sobre as muitas e esguias chaminés, correspondentes às suas lareiras ( que são 39 no total).
E assim damos entrada no "Salão Nobre".
No século XV, altura em que o Paço era habitado por D. Afonso, Duque de Bragança, e sua mulher, D. Constança de Noronha, este seria o espaço nobre do edifício – a Sala Grande ou Aula – e daqui se teria acesso aos espaços mais privados e apenas utilizados pelos Duques.
A decoração do espaço é dominada pela última das «Tapeçarias de Pastrana», de uma série de quatro, a qual retrata «A tomada de Tânger».
Segue-se a "Antecâmara".
A antecâmara era a câmara que antecedia a câmara de dormir (quarto).
Esta «câmara de dormir», tal como a antecâmara que lhe é contígua, integrava os aposentos privados de D. Afonso, I Duque de Bragança, os quais se desdobravam em dois pisos e eram constituídos por seis câmaras: 3 no piso 1 (primeiro andar) e outras três no piso 2 (segundo andar).
Nesta câmara de dormir exibem-se peças dos séculos XVII e XVIII: mobiliário, têxteis, metais e cerâmica.
Em frente da porta de entrada para o quarto encontra-se outra porta de arco em ogiva que dá acesso a uma pequena divisão que talvez funcionasse como guarda-roupa.
(Sala de Cipião)
Esta câmara, em conjunto com a antecâmara e a câmara de dormir, constituíam os três aposentos privados de D. Afonso, Duque de Bragança, que se situavam no piso 1 (primeiro andar), havendo mais três no piso superior (segundo andar).
A sala ganhou a designação de Sala de Cipião por as paredes estarem ornadas com quatro tapeçarias que representam a «História de Cipião».
Nesta sala exibem-se também peças de mobiliário e cerâmica.
Segue-se a "Sala de S. Miguel".
Designa-se «Sala de S. Miguel» dado aqui se encontrar uma escultura de vulto de «S. Miguel Arcanjo».
Retornamos novamente à Galaria Superior, para aceder à Capela.
No portal de entrada no qual se encontra um conjunto de colunas cujos fustes são em mármore, diz-se, se bem que sem prova documental, que terão pertencido ao palácio de Çala-ben-Çala, em Ceuta, tendo sido trazidos, em 1415, por D. Afonso, I Duque de Bragança, o qual nessa data participou na conquista daquela praça.
Este portal é encimado por uma cópia do que se presumiu ser o brasão do Duque de Bragança realizado, na década de 50 do século XX, pelo escultor Teixeira Lopes.
Quando foi iniciado o restauro do Paço dos Duques, na década de 30 do século XX, permaneciam ainda as paredes, o janelão, a porta e a escadaria da capela.
No entanto, o janelão já não dispunha de vitrais e do recheio da capela nada subsistia.
Por isso, entendeu-se mobilá-la de acordo com o que se presumia ser uma capela do século XV, tendo o arquiteto Mário Barbosa Ferreira sido responsável pelo desenho do mobiliário que decora a capela – mesa de altar, tribunas, cadeiras, balaustrada do coro e bancos –, tudo executado, em 1959, em madeira de castanho.
Pode também observar-se um conjunto de quatro peças – um baú, uma arca, um banco e uma base – construídas recorrendo ao aproveitamento de elementos procedentes de móveis góticos (baú, arca, banco) e renascentista (base) e que nos ajudam a conhecer e a admirar a qualidade dos artífices entalhadores daquelas épocas.
Por fim rumamos à "Câmara de Dormir de D. Catarina de Bragança".
Não se sabe com certeza, a quem estava destinado este quarto, mas, dado existir no acervo do Paço um retrato de D. Catarina de Bragança (1638-1705), passou a designar-se «quarto de dormir: D. Catarina de Bragança».
Nesta câmara de dormir exibe-se mobiliário e pintura dos séculos XVII e XVIII.
D. Catarina, infanta de Portugal, era filha do rei D. João IV e de D. Luísa de Gusmão. Casou, em 1662, com o rei Carlos II, passando a Rainha Consorte do Reino da Inglaterra, Reino da Escócia e Reino da Irlanda. Alguns anos depois de enviuvar voltou a Portugal (1693), onde faleceu, no seu palácio da Bemposta, em 1705.
Podem encontrar as informações por aqui partilhadas e muitas mais em:
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